sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Movimento do Mercado de Saúde

Na edição jan/fev/mar 2010 – ano 3 nº 11 do CETAO NEWS publiquei um artigo sob o título – O avanço das grandes corporações, muitos foram os retornos, na maioria positivos, com reproduções em outros importantes meios, no entanto, muito pouco se pensou a respeito e para consolidar minha posição trago alguns indicadores significativos para uma reflexão sobre o tema.

Em publicação recente a revista exame 984 de 26.01.11 revela que na última década os planos de saúde ganharam 14 milhões de novos usuários, um crescimento de 50%, já o portal da mesma revista nos mostra que o crescimento de clientes em planos odontológicos foi de 460% no mesmo período, sendo 2,43 milhões em 2.000 para 13,64 milhões em 2010, e o fato que mais preocupa, além de pouco contribuirem com o resultado nos consultórios, é que apenas 15,8% são exclusivamente odontológicos. Com isso fica evidente a estratégia de utilização dos serviços em odontologia para atrair novos clientes e depois incorporá-los a planos mais retáveis, já que a renda percapta não ultrapassa a R$ 10,00.

Com 1.632 operadoras atuando em nosso território, onde 33% de participação são de grandes operadoras, temos na outra ponta a indústria brasileira que segundo a ABIMO movimentou durante a 15ª International Dental Conference & Arab Dental Exhibition, em Dubai U$$ 445 mil em negócios, com perspectivas de gerar nos próximos 12 meses U$ 3 milhões em novos negócios, além de constatar que a percepção sobre o Brasil, na qual indica que 74% dos participantes nos consideram um importante player global, 53% classificam nossa empresa como boa, 72% dizem que nossos preços são aceitáveis e 62% vêm com bom olhos a qualidade de nossa indústria. O que mais me chamou atenção nestas informações é que nada se falou, a não ser no portal exame, em odontologia, e muito menos dos precursores desta indústria toda, responsáveis tanto pelo desenvolvimento e melhoria dos produtos e que contribuiram significativamente para que estes resultados fossem alcançados.

Trata-se dos profissionais dentistas, que prolongam sua jornada de trabalho entre 16 e 18 horas para garantir uma mínima renda, sofrendo pressões tanto por parte das grandes corporações como das indústrias, não encontrando tempo para “pensar” no negócio de maneira racional e estratégica. É preciso repensar na odontologia e a classe fazer valer sua posição exigindo das entidades que as representam uma proposta de inserção nesta participação.

Estamos falando de 13,7 bilhões de reais em participação no mercado de saúde entre a Amil, Bradesco Saúde e SulAmérica, em 2010 foram gastos 4,1 bilhões em dólares em fusões e aquisições. Para fazer frente a esta avalanche o profissional deverá se comprometer com a gestão e ampliar seus conhecimentos em administração e custos, para garantir a melhoria de sua performance financeira, principalmente dividir o que é pessoal do empresarial, saber responder questões simples e ao mesmo tempo crucial de qual a melhor opção tributária entre autônomo e lucro presumido. Saber se posicionar e acompanhar as mudanças de cenários empresariais e populacionias.

Eis mais um desafio a ser vencido. Como disse Edson Gody Bueno – dono da operadora Amil e dos laboratórios Dasa –“Se você quiser ser sardinha, ande com sardinhas. Se quiser ser tubarão, ande com tubarões”. É para se pensar e agir.

sábado, 30 de julho de 2011

Ponto de Equilíbrio. Como calcular?

Em vários trabalhos de campo a nossa segunda maior preocupação, depois da análise contábil financeira, é a de estabelecer a rentabilidade dos procedimentos realizados na clinica.

O profissional de maneira geral sempre se preocupa em manter sua agenda, no entanto, sempre fica a dúvida de qual procedimento que de fato lhe garante uma maior rentabilidade, e para essa resposta a ferramenta utilizada é o ponto de equilíbrio (PE), que se divide em contábil, financeiro e econômico. É importante lembrar que qualquer que seja o PE desejado ele sempre indicará o momento zero, ou seja, não apontará lucro e muito menos prejuízo, mas para analisar a lucratividade de um procedimento devemos primeiramente calcular a margem de contribuição que é alcançado da subtração do valor de venda do serviço pelos custos variáveis, como no exemplo a seguir:

(+)Preço de venda R$ 10,00
(-)Custo Variável R$ 4,00
(=)Margem de Contribuição R$ 6,00

A partir da margem de contribuição em valores, calculamos o percentual que denominamos de IMC = Índice da Margem de Contribuição, na qual multiplicamos a margem de contribuição por 100 e dividimos pelo valor de vendas (R$ 10,00):

{(6,00x100)/10,00} = 60%

logo verificamos que a margem de contribuição em percentual é de sessenta por cento. Para saber qual a quantidade de procedimentos a serem realizados deve-se dividir o custo fixo, no caso R$ 950,00 mês, pela margem de contribuição em valores:

(950/60) = 158,33

será o total de procedimentos a serem realizados no mês.

Já o PE em valor monetário é calculado dividindo o custo fixo mensal pelo IMC e multiplicando-o por 100:

(950/60)x100 = 1.583,33

Consideramos que em um mês são realizados 200 procedimentos, qual será o resultado? Esta questão é simples responder, basta seguir os próximos passos. Multiplica-se a quantidade de procedimento pela margem de contribuição, após subtraia os custos fixos. Utilizando os exemplos acima temos:

200 x 6,00 = 1.200,00 – 950,00 = 250,00 de lucratividade.

Para calcular o resultado a partir de um valor faturado deve-se multiplicar o faturamento pelo IMC e dividi-lo por 100 e em seguida subtraí-lo dos custos fixos, assim teremos:

1.400,00 (total faturado) x 60 (sem porcentagem) = 84.000

84.000 dividido por 100 = 840,00 – 950,00 = (-) 110,00 neste caso prejuízo.

Com isso determinamos que o ponto de equilíbrio equivale a lucratividade variável, na qual é alcançada a partir da diferença entre o preço de venda unitário do serviço e os custos e despesas por unidade. Isto significa que, em cada procedimento realizado, o profissional terá um determinado valor de lucro.

Desta forma, o Ponto de Equilíbrio representa o faturamento mínimo que o profissional tem que alcançar para que não seja apurado lucro ou prejuízo no exercício, atingindo o momento zero.

Lembro mais uma vez que a alavancagem financeira de um consultório não se faz com o aumento da clientela, e sim, pela melhoria das margens que esta clientela participa, ou contribui, antes de pensar em aumentar a base de clientes é necessária a avaliação de cada procedimento e posteriormente dar maior ênfase aos mais rentáveis que nos garantirão lucro sem o aumento das horas trabalhadas.

Para se obter as bases para o cálculo do PE basta à aplicação de ferramentas simples e eficazes como o DRE, por exemplo. Gestão pratique esta idéia.

Estamos de volta!

Prezados Profissionais,

Depois de alguns meses fora do ar nosso blog retorna, agora reformulado e com uma visão diferente, neste espaço debateremos propostas e conceitos de gestão, objetivando a ampliação e a socialização de ferramentas e notícias de interesse para a categoria.

Espero, desta forma, contribuir para a classe e levar discussões de alto nível sobre gestão a todos participantes.

Abraços a todos

Professor Fernando Schiavetto

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

AS DUAS PULGAS - MAX GEHRINGER

Antes de mudar pare, observe e escolha o caminho mais sábio:

Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra: - Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

Elas então contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: - Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.

Elas então contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa.

Funcionou, mas não resolveu... A primeira pulga explicou por quê: - Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando.

Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.

E então um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos.... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:

- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica? - Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

- E por que é que estão com cara de famintas?

- Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha: - Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia?

- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora. - Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas ? - quiseram saber as pulgonas.

- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse: "Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança".

MORAL: Você não precisa de uma reengenharia radical para ser mais eficiente. Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento.

domingo, 11 de abril de 2010

Veja cinco cuidados antes de comprar um imóvel na planta

Uma das principais preocupações que encontramos em nossos cursos é na aplicação dos recursos excedentes, além é claro de como consegui-los. Desta forma posto a reportagem publicada no Portal Exame em 08.12.09, onde nos são reveladas dicas importantes ao adquirirmos imóveis na planta, que sem dúvida torna-se um interessante investimento.

Atraso na entrega dos imóveis, embargo da obra por irregularidades e reajustes não previstos em contrato são os principais problemas na hora de comprar a casa própria.
Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (AMSPA) apontou, em estudo, os problemas mais freqüentes que os consumidores enfrentam na hora de comprar a casa própria – em particular, imóveis novos, adquiridos na planta. Entre eles estão atrasos na entrega dos imóveis, embargo da obra por irregularidades junto à prefeitura e reajustes não previstos em contrato.
Segundo a AMSPA, isso acontece geralmente com os consumidores que apostam nos incentivos e facilidades de financiamento das imobiliárias.

Para se ter uma idéia, os processos contra construtoras que atrasaram a entrega de imóveis aumentaram 50% nos últimos dois anos, informou a AMASPA. Nesses casos, a empresa é obrigada a pagar uma multa pelo atraso. E, se resolver desistir do imóvel, o comprador ainda pode pedir a devolução de tudo o que pagou - inclusive a comissão do corretor.
Dicas para evitar problemas
01- Antes de fechar o contrato, verifique a idoneidade da construtora. Para isso, consulte o Procon sobre a existência de reclamações contra ela. Consulte também o Fórum, para saber se existem ações judiciais contra a empresa.

02- Verifique se a construtora entregou outras obras dentro dos prazos, sem problemas, e se cumpriu as condições estipuladas no contrato.

03- Consulte a prefeitura, para saber se o imóvel está regularizado.

04- No caso de financiamento, verifique se a taxa de juros está dentro do limite permitido por lei - que, atualmente, é de 12%.

05- Observe se o valor inicial das prestações é adequado à sua renda. O valor da prestação nunca deve ultrapassar 30% da sua renda, para não acarretar problemas futuros de atraso no pagamento ou inadimplência.
Outra forma de evitar futuros entraves é criar uma comissão de representantes para fiscalizar a obra e seu andamento. A própria Associação dos Mutuários coordena o trabalho dessas comissões, cuja criação deve ser exigida pelos compradores.

domingo, 7 de março de 2010

Venda de único imóvel até R$ 440 mil está isenta da IR

Em recente publicação o DiárioNet nos dá uma importante dica sobre venda do único imóvel. A dúvida que reside é se ela é isenta ou não de pagamento do Imposto de Renda, confira o que diz a equipe do DiárioNet:

Muitos contribuintes ficam preocupados com a possibilidade de pagar imposto pela venda de um imóvel, se não aplicarem o dinheiro na compra de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias. É importante lembrar que essa possibilidade de isenção veio se somar a outras já existentes. Confira aqui as duas principais hipóteses de isenção, não esquecendo que há outras, como a depreciação de imóvel adquirido há muitos anos.
A principal forma de isenção, da qual a maioria dos contribuintes pode fazer uso, é a que livra do pagamento de imposto de renda a venda do único bem imóvel que o titular possua, individualmente, em condomínio ou em comunhão, no valor de até R$ 440 mil, independentemente de se tratar de terreno, terra nua, casa ou apartamento, ser residencial, comercial, industrial ou de lazer, e estar localizado em zona urbana ou rural, desde que não tenha efetuado, nos últimos cinco anos, outra alienação de imóvel a qualquer título, tributada ou não.
Desde 16 de junho de 2005, o ganho obtido por pessoa física residente no Brasil na venda de imóveis residenciais está isento, desde que o vendedor, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o dinheiro na compra de imóveis residenciais localizados no País.
No caso de venda de mais de um imóvel, o prazo de 180 dias é contado a partir da data da celebração do contrato relativo à primeira operação. A aplicação parcial do dinheiro obtido na venda implica tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção vale apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais.
Como ocorre com a venda do único imóvel, o contribuinte somente pode usufruir do benefício uma vez a cada cinco anos, contados a partir da data da celebração do contrato relativo à operação de venda com o referido benefício ou, no caso de venda de mais de um imóvel residencial, à primeira operação de venda.
Na hipótese de venda de mais de um imóvel, estão isentos somente os ganhos de capital auferidos nas vendas de imóveis residenciais anteriores à primeira aquisição de imóvel residencial.
A isenção não vale para dinheiro da venda aplicado na construção de outro imóvel, mesmo que residencial. Somente se aplica para a aquisição, no prazo de 180 dias, de imóveis residenciais construídos ou em construção, não abrangendo os gastos para a construção de imóvel, os gastos para a continuidade de obras em imóvel em construção ou ainda os gastos com benfeitorias ou reformas em imóveis de propriedade do contribuinte.

O AVANÇO DAS GRANDES CORPORAÇÕES

Na próxima edição do CETAO NEWS será editado o artigo "O avanço das Grandes Corporações", onde explano a necessidade do entendimento das ações estratégicas no nosso dia-a-dia, confira na integra o artigo:
Em nossa coluna temos sempre destacado a importância do planejamento estratégico e deste entendimento é que o profissional deverá se posicionar no mercado de trabalho. Como o próprio título diz vamos tratar do avanço das grandes corporações na área de saúde, o que inclui a odontologia, tomaremos por base os três últimos movimentos, a fusão do Bradesco com a Odontoprev, Amil com a Medial e por último, segundo a revista exame, a possível saída da GP Investiments da Imbra, tendo como possíveis compradores a Amil ou a Odontoprev (Bradesco).
Para muitos isso tem um significado de pouca importância, para outros nem tanto, e acertou quem pensa como o segundo grupo, pois com a chegada destas grandes corporações o mercado passa a se consolidar de maneira muito clara em termos de posicionamento. Cria-se uma espécie de oligopólio de rede de convênios, diminuindo o poder de barganha dos prestadores de serviços (que já não tinham quase nenhum).
O que ocorrerá, é que a oferta passa a ser concentrada em poucas operadoras e o prestador a ser tratado com um só, o que cria condições para a segmentação, o que na minha opinião poderá resultar em uma espécie de seleção natural dos prestadores, os melhores localizados e melhor equipados poderão, em tese, receber os clientes que possuam poder aquisitivo maior, já os prestadores de serviços que possuem uma localização intermediaria e que não possuam uma grande oferta de especialidades, por exemplo, poderão ficar uma gama de conveniados de menor poder aquisitivo, e assim sucessivamente até chegarmos ao conceito da clínicas de baixo padrão, as chamadas clínicas populares. Assim o profissional credenciado em vários convênios passa a fazer parte de uma massa maior e única, podendo correr o risco de ser descredenciado a qualquer momento, pois entende-se que embora a empresa seja uma só, ela opera sob várias marcas (como a rede Pão de Açúcar) o que possibilita a segmentação.
O fato é que o profissional deverá definitivamente se posicionar no mercado em que atua, necessitará definir-se sob o ponto de vista mercadológico em qual segmento atuará e reavaliar sua estrutura e conseqüentemente seus custos e posição de carteira.Esta afirmação tem por base lembrá-los que toda e qualquer segmentação se traduz em repasses cada vez menores (tabelas mais baixas), dependendo sob qual bandeira o profissional irá atuar, não haveria sentido este movimento todo das empresas para operarem com uma tabela única e optando pela maior.
Agora você pode estar se perguntando: “O que tem a Imbra nisso tudo?” a resposta é bem simples, caso se confirme a reportagem as grandes corporações que até agora atuavam como intermediários, passarão a atuar diretamente na prestação de serviços odontológicos e isso acarretará em significativas perdas de receitas em muitos consultórios. O quadro que se desenha é no mínimo preocupante, pois além de deter o controle sobre os associados/conveniados as empresas passarão a oferecer atendimento próprio e todos nós conhecemos muito bem o padrão das clínicas objeto de negociação. Por esta razão é que o profissional deve se posicionar o quanto antes e desenvolver uma estratégia voltada ao seu público-alvo, preferencialmente o não conveniado, ou poderá desaparecer.