domingo, 6 de outubro de 2013

Planejamento Estratégico e Gestão de Custos com Base na Elaboração de Cenários

Um dos focos de maior atenção dos administradores está nos custos e orçamentos, é o que indica os principais estudos de finanças aplicadas. Como já dissemos anteriormente, o corte indiscriminado de custos está por se extinguir, e as estratégias e o trabalho de visão ampla com elaboração de cenários estão cada vez mais notáveis. No entanto, um cenário somente será possível de ser concebido, após a exaustiva análise de todas as possibilidades e desdobramentos que as tendências que o mercado nos oferece. Para a construção de um cenário temos que analisar todas as variáveis que envolvem cada passo, cada decisão e qual caminho a ser seguido etc. Para melhor compreendermos esta proposta, utilizaremos um modelo aplicado em uma das maiores fabricantes de linha branca, a Whirlpool, instalada na cidade Joinville, que para atender a uma demanda tradicional de geladeiras brancas, mantém uma produção de 15.000 peças por dia. Por outro lado um pequeno grupo de colaboradores se encarregam da produção de outros itens sob medida, invertendo a lógica criada pelo notável, se me permitem assim me dirigir a Henry Ford. A razão desta mudança se da no comportamento cultural das novas gerações que impulsionam a customização, já que cresceram com um poder de escolha muito bem definido. Assim podemos observar a matriz de crescimento de produto/mercado de Ansoff, que fornece uma maneira simples de criar quadros de direções alternativas básicas para desenvolvimento estratégico.
Fica claro que a estratégia utilizada pela Whirlpool é a da criação de um novo mercado pela diversificação, na qual criou uma linha de montagem exclusiva com capacidade de atender a uma demanda de consumidores especiais com 25.000 diferentes opções entre geladeiras, fogões e máquinas de lavar. Entretanto, elaborar cenários não é um exercício de predição, mas sim um esforço de fazer descrições plausíveis e consistentes de situações futuras possíveis, apresentando os condicionantes do caminho entre a situação atual e cada cenário futuro, destacando os fatores relevantes às decisões que precisam ser tomadas (Wright & Spers, 2006). Aplicado objetivando mapear futuros possíveis, identificando tendências e incertezas, e antecipando oportunidades e ameaças. No mundo de hoje, cada vez mais dinâmico e interligado econômica, tecnologicamente e politicamente, pensar o futuro das organizações tornou-se um exercício complexo e desafiador. Godet (2000) afirma que, na prática, não há um único método para o desenvolvimento de cenários, mas uma variedade de métodos para a construção, sendo alguns simplistas e outros sofisticados. Pontua, ainda, o autor, que há um consenso que o termo Método de Cenários somente se aplica para uma abordagem que inclua um número de etapas específicas inter-relacionadas, análise de sistemas, retrospectiva, estratégia dos atores e elaboração de cenários. Por outro lado, Coates (2000) sugere que cenários devem ser elaborados a partir da identificação e definição do universo de preocupação, definição das variáveis que serão importantes para moldar o futuro, identificação dos temas para os cenários e, finalmente, a criação dos cenários. Em linha semelhante, Jouvenel (2000) propõe que, basicamente, há cinco estágios para o procedimento prospectivo: definição do problema e escolha do horizonte de tempo, identificação das variáveis e construção do sistema, coleta de dados e elaboração de hipóteses, exploração de futuros possíveis e de escolhas estratégicas. O que proponha neste artigo, antes da promoção de cortes indiscriminados nos custos, seja promovida uma ampla reflexão e análise criteriosa, sobre a utilização correta de todos os recursos disponíveis na empresa, aliada a uma base sólida de dados e variáveis com projeções analíticas a cerca dos custos recorrentes a cada opção estratégica escolhida. Ai reside uma das principais vantagens da elaboração de cenários com foco no planejamento futuro, antes de retroceder, estude as oportunidades, avance e crie ou expanda seu mercado, aplique esta técnica a partir de um diagnóstico concreto de suas necessidades e perspectivas. Fernando Schiavetto Sócio Diretor da Megaas Assessoria Empresarial Ltda. Gerente de Projetos – Exection – Executivos em Ação. Professor de Controladoria e Administração da Universidade Nove de Julho - UNINOVE

sábado, 5 de outubro de 2013

LOGÍSTICA – A estratégia versus gerenciamento de custos.

Não são raros os casos em que enfrentamos um batalhão de executivos dispostos a defender uma posição em que a logística deve ser tratada como custos, na qual um perfeito gerenciamento será o suficiente para que a operação seja bem sucedida. O que concordamos, mas em parte, já que enxergamos a logística como vantagem competitiva, portanto, uma questão estratégica vital para quaisquer negócios. Mas, o que é logística? Derivada do grego logitikus, cujo seu significado designa cálculo e raciocínio lógico. E Assim, sendo, fica evidente que a gestão eficiente e responsável das operações dentro da cadeia de suprimento é capaz de gerar valor. Segundo Débora Soares (IBEF News,Julho/Agosto, 47) os custos logísticos representam em média 8,5% das receitas geradas, na qual agronegócios, bebidas, papel e celulose, material de construção e decoração e alimentos, puxam a fila de campeões na liderança de custos, 13,30%, 12,1%, 11%, 10,6% e 9,9%, respectivamente. Jogar a culpa somente na infraestrutura já não convence mais a ninguém, para tanto, devemos transcender essas limitações e transformar as operações logísticas em diferencial competitivo, o que se traduz em estratégia de gerenciamento de ativos, transformando os ativos de formadores de custos em geradores de valor, o que se faz necessário uma redefinição de posicionamento e não do serviço, mas sim na mente de seu potencial cliente. A criação de uma vantagem competitiva se inicia na formação de um conceito simples que Michael Porter distingue como a diferença entre valor, ou seja, “quanto o comprador esta disposto a pagar por um produto ou serviço e o custo da execução das atividades envolvidas em qualquer negócio e a avaliação de seu custo relativo e papel na diferenciação”. A mensagem é clara, é necessário definirmos o papel de produtos e serviços complementares com capacidade de agregar valor com visão sinérgica tangível ao seu cliente, o que se traduz, portanto, em estratégia e não em gerenciamento de custos. A perfeita harmonia e integração dos mais diversos ativos a uma utilização racional e diferenciada eleva o potencial de negócios em qualquer área de atuação. Uma perfeita análise de tudo que a empresa faz e da estrutura por ela utilizada são os padrões de análises deste desafio em transformar a logística em estratégia, e como alcançar este status? Utilizando o que a de mais poderoso em nossa sociedade, a comunicação, transmitindo às mensagens certas as pessoas certas e no momento certo, sendo esta a maneira mais eficiente e rápida de entrarmos na mente de nossos clientes e futuros clientes, e para isso também se faz necessário chegarmos primeiro, ser o primeiro é fundamental para consolidar uma posição estratégica, principalmente na prestação de serviços. Criarmos uma cadeia de serviços integrada que levem soluções aos mais variados clientes e setores é um ponto positivo, tanto na criação da vantagem competitiva, quanto no posicionamento para geração de valores, estreitando os relacionamentos com base na comunicação eficaz, com uma prestação eficiente de serviços, diminuindo os custos de seus clientes e parceiros. Dar o tratamento adequado à logística, como centro de inteligência, é não a uma base de operações, criando e desenvolvendo indicadores de eficiência, são os pontos iniciais da reestruturação do conceito operacional/estratégico em logística. Está é nossa visão, está é nossa posição. Nossa diferenciação competitiva é a de levar valor integrado à cadeia de suprimento e serviços de nossos clientes, indo muito mais além dos diagnósticos apoiados em práticas de meditação. Fernando Schiavetto Sócio Diretor da Megaas Assessoria Empresarial Ltda. Gerente de Projetos – Exection – Executivos em Ação. Professor de Controladoria e Administração da Universidade Nove de Julho - UNINOVE

Gestão Estratégia Ambiental e a Teoria da Contingência

Iniciamos nosso artigo com uma pergunta simples, mas, no entanto, para muitos de difícil resposta: Por que as empresas dominantes são vulneráveis? Escolhi esta pergunta retirada do MIT Sloan Management Review, objetivando a criação de um ambiente propício para as discussões que pretendo levantar a partir de agora. Em termos de estratégia destaco apenas dois modelos de empresas as que se utilizam da Visão Baseada em Recursos (VBR), ou as que se baseiam pelo ambiente externo, conhecidas como OPM, voltadas para o mercado. Logicamente as que se utilizam do método VBR, são as detentoras dos recursos e ditam as regras de mercado. E como identificamos se uma empresa é VBR, aplicando o processo VRIO, na qual se analisa se a empresa possui os requisitos básicos de Valor, Raridade, Imitabilidade e Organização capazes de explorar e potencializar todas as oportunidades existentes no mercado. Já as empresas OPM, as quais não são detentoras de recursos valiosos, raros e inimitáveis, necessitam da criação de um ambiente organizacional dinâmico e ágil, com foco no resultado, e para tal, deveriam se encaixar na chamada escola estratégica ambiental, que provém da teoria da contingência, a qual é descrita pelas relações entre determinadas dimensões do ambiente e atributos específicos da organização. Com base ao exposto, fica quase evidente que as empresas dominantes são surpreendidas na medida em que se descuidam das análises e dos sinais advindos no ambiente externo, por serem altamente determinadas na formalização de seu ambiente interno, mas para isso é imprescindível uma estabilidade no mercado em que atuam. Foi o que ocorreu com a KODAK, que sofre a mais de uma década um encolhimento que acumulam milhões de dólares, os obrigando a não só abrir mão de várias patentes, como também de boa parte de sua área produtiva, para transformá-la em condomínios residenciais, para fazer caixa e continuar respirando em um ambiente altamente competitivo, culminando com uma perda de 97% de seu valor de mercado em dez anos. Mas, onde os executivos da Kodak erraram? Justamente em não perceberem o movimento e os sinais do ambiente externo, que claramente apontava para o desinteresse pelas máquinas fotográficas analógicas e pela invasão de máquinas digitais, que ironicamente fora criada por ela mesma em 1975. Ao que parece a certeza da liderança absoluta de mais de um século acabou criando uma cultura de acomodação em um dos principais ícones do capitalismo norte americano, o que vai literalmente de encontro às aplicações da gestão estratégica ambiental. A empresa não se preparou para aplicação de um plano de contingência capaz de mantê-la no topo do mercado, não acreditando na velocidade da inovação, assim como, na velocidade de mudança do seu ambiente de atuação, restringindo suas opções estratégicas. Certamente os manuais de negócios e gestão, estarão em um futuro próximo recheados de histórias como da Kodak e outros ícones dominantes do mercado. E a sua empresa? Já discutiu a teoria de contingência em alguma reunião estratégica? Vale a pena iniciar o quanto antes esta discussão. Fernando Schiavetto Sócio Diretor da Megaas Assessoria Empresarial Ltda. Gerente de Projetos – Exection – Executivos em Ação. Professor de Controladoria e Administração da Universidade Nove de Julho - UNINOVE

Gestão de Custos – Como identificar e gerenciar um programa de redução de custos e despesas.

Muito embora o discurso tenda sido outro, sabemos não estamos mais vivendo uma era de plena abundância e de pleno emprego, segundo a revista Exame os lucros das empresas abertas brasileiras caíram 47%, considerando um período de um ano. Em situações como esta não resta alternativa a não ser estabelecer um amplo programa de redução e cortes nos custos, mas a luz da verdade, quais são as organizações que estão preparadas para iniciar um processo desta magnitude? Se levarmos esta indagação as pequenas e médias empresas? Possivelmente uma grande maioria responderia que não estão devidamente preparadas e igualmente não saberiam por onde começar, dada à complexidade e responsabilidade que envolve a questão. A principal complexidade é a definição entre custos e despesas, uma vez que o corte progressivo de custos, para recuperação de margem de contribuição, acaba por muitas vezes eliminando a capacidade de produção, ou decorrem em perda de produtividade e consequentemente em perdas de receitas, agravando ainda mais a situação. Um estudo concluído ao final do mês de agosto de 2012, pela empresa de consultoria Bain&Company sugere que empresas insistem em cortes que sacrificam o desempenho no médio prazo e que se caracterizam pela emergência de se fazer algo. Algo que há muito tempo prego em empresas de médio porte, e isso fica evidente quando ao compararmos algum tempo depois os indicadores de custos, verificamos que muitas delas retornam a um patamar de custos cerca de 10% maior, após a aplicação do programa. Por definição despesas representam desembolsos que visam à manutenção de uma atividade e custos vincula-se a produtividade. Para que um programa de redução de custos e retenção de despesas sustentável possa funcionar é preciso acima de tudo à criação de um canal de diálogo permanente com todos os envolvidos, do chão de fábrica a alta direção. Segundo passo é mapear e selecionar em áreas críticas, fugindo da armadilha comum do corte padronizado e sem critério previamente estabelecido, que além de gerar incertezas, propicia a operação caça as bruxas. Em terceiro é estabelecer um amplo e constante mapeamento dos indicadores de custos e despesas, estabelecendo metas mínimas e máximas e pontos de reavaliação negociada, para que o futuro não seja comprometido com ações de curto prazo. Em quarto é necessário ter sangue frio, ou seja, saber planejar os passos e reconhecer os sinais do mercado por meio de painéis de cenários, manter um constante monitoramento destes sinais enviados pela base do mercado. O mapeamento constante de indicadores chave, aliado a mensuração diagnóstica, nos leva ao equilíbrio no controle dos custos e despesas, fazendo com que ganhemos tempo para agir com rapidez e eficácia, reduzindo a margem de erro. Em termos de administração não existem grande problemas, e sim um amontoado de pequenos problemas que não damos a devida atenção, que juntos se tornam grandes, assim como a geração de custos e despesas, que crescem indiscriminadamente resguardando-se da inocência com que nos orientamos sobre eles. Pense nisso, após refletir um pouco responda: Você identifica um destes quatro itens em sua organização, quando o assunto é corte de custos e despesas?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Igor Gielow: Despertador

Hoje ao navegar me deparei com uma das mais responsáveis matérias de editorial que tive a oportunidade de ler nos últimos anos, na qual retransmito na integra para que não seja esquecido. BRASÍLIA - Independentemente do desfecho da novela de criação da Rede, Marina Silva só perdeu com o episódio. Além de poder ficar sem sua legenda, ela viu expostas contradições originadas na formação de sua imagem pública. Marina tenta capitalizar desde 2010 a fama de uma "outsider" dada a gerenciar de forma horizontalizada, seja lá o que for isso, o sonho dos milhões que a apoiaram. Só que esta hagiografia, calcada na narrativa da superação da miséria e no peculiar cruzamento entre ideologia "povo da floresta" e populismo evangélico, escamoteia o fato de que Marina é política de carteirinha. A dinastia petista do Acre, de onde vem, é tão viciada quanto qualquer outra. A forma envergonhada com a qual lida com empresários revela mais sobre a tradicional simbiose público-privado da política do que possam fazer crer mil palavras de ordem. Por fim, ensaia o papel de salvadora da pátria, "deus ex machina" da política. É personagem recorrente no Brasil, como Jânio e Collor não nos deixam esquecer. O processo de criação da Rede explicita a dificuldade de convivência entre a verdadeira Marina e a musa idealizada dos sonháticos. As regras são ridículas? São, mas é o que temos hoje; cláusula de barreira é o nome da melhoria possível. A Rede achou que seria possível montar um partido a partir de 500 mil curtidas no Facebook, e que o direito divino estaria a seu lado --a soberba de Marina em suas declarações é reveladora disso. Nesse sentido, o parecer negativo do Ministério Público vai ao ponto quando questiona a criação da sigla com fim exclusivo de eleger uma candidata. Se a lei for levada ao pé da letra pelo TSE, o fracasso empurrará Marina ou ao exílio orgulhoso ou à lambança de fazer tudo o que prometia não fazer. Se for rasgada, a vitória a manchará com a pecha de que apelou ao jeitinho como todo mundo. Sonhar é fácil. Despertar, nem tanto. IGOR GIELOW é diretor da Sucursal de Brasília

domingo, 6 de novembro de 2011

O mercado de Crédito e a Odontologia

O atual momento econômico brasileiro tem dividido opiniões entre os principais analistas e neste ambiente de discussão acabamos por perceber que a tomada de decisão por parte dos profissionais que atuam na área de saúde, mais notoriamente, a odontologia, se vê em mais um capítulo de seus vários dilemas.

Hoje o que se discute em termos de estratégia é como se posicionar ante um crescente mercado onde muito se diz do crescimento da classe chamada de emergente, as classes E, D e C, no entanto, cabe uma reflexão sobre o que chamo de miopia econômica, muito mais oriunda das manobras políticas do que o crescimento propriamente dito. Não resta dúvida que a nova classe média é a sensação do momento, mas as classes A e B crescem em proporções consideráveis, hoje são 20 milhões de ricos e serão 30 milhões em 2014 (dados da revista Exame).

Não é raro, em nossos trabalhos de campo, nos depararmos com a costumeira pergunta, ou até mesmo discussões sobre decisão já tomada, em se abrir um consultório em áreas periféricas objetivando aproveitar a expansão das classes, até então, menos favorecidas, se esquecendo quase por completo das demais. Não há nada de errado em expandir seus negócios, o que se discute é a qualidade e a forma de se trabalhar, onde para se obter sucesso é necessário trabalhar com base na liderança de custos, já para as classes A e B se deve trabalhar a diferenciação.

Na verdade o que eu chamo a atenção é que a nova classe emergente hoje obteve, e com méritos, acesso ao crédito o que não nos dá a certeza da manutenção dos níveis atuais de consumo, ou seja, o Brasil cresceu 61% do PIB a oferta de crédito, enquanto a América Latina 42%, os BRICS 35%, Países do Euro 24% e os EUA apenas 4%.

O comprometimento com a renda anual com endividamento dos brasileiros saltou de 18% em 2006 para 30% em 2011, enquanto na Alemanha e EUA este endividamento chega a 32% da renda anual, o que nos indica que nosso grau de endividamento é semelhante aos de países desenvolvidos. Outro ponto que chamo a atenção, mais uma vez, é a forma que esta nova classe recorre ao crédito, via cheque especial e cartão de crédito, na qual o primeiro obteve uma alta de 27% em 2011, totalizando um juro anual médio de 185%, já o cartão de crédito alcançou as marcas de 14% e 238% respectivamente.
A consequência disto tudo é que os juros pagos por brasileiros, mais propriamente as classes emergentes, representam 58% seus gastos mensal ficando o restante de 42% para pagamento do principal e a inadimplência chega ao patamar de 22%.

Para se ter uma idéia do perigo que esta expansão, sem a conscientização do uso racional do crédito, pode trazer aos negócios em geral é que 67% da população não sabem o quanto pagam de juros em suas operações de crédito, 28% sabem e 5% nem ao menos responderam a pesquisa realizada pela Revista Exame (fonte IPSOS). Desses 67%, 87% representam classes D e E, 71% classe C e 46% classes B e A.

De 2003 a 2009 as classes A e B, cresceram 41 e 38% respectivamente, enquanto a classe C respondeu por um crescimento na ordem de 34%, com regressão de 12% na classe D e de 45% na classe E.Segundo relatório do Centro de Políticas Sociais da FGV-Rio, entende-se como definição de classes econômica famílias com rendimentos observados abaixo:
RENDIMENTOS CLASSE
De 9.050 reais acima A
De 6.941 a 9.049 reais B
De 1.610 a 6.940 reais C
De 1.008 a 1.609 reais D
De 0.000 a 1.007 reais E

Ainda dentro dos levantamentos realizados nota-se que enquanto as classes ascendentes (classes C/D/E) gastam 1,5 bilhões em plano de saúde as classes A e B gastam 1,4 bilhões, alcançando uma quase paridade, que, no entanto é enganosa, pois a massa populacional é desproporcional, além da oferta de planos populares, sendo que nestes dados os gastos com odontologia não aparecem.

Outros dados que colaboram com a tese que queremos comprovar é que as classes mais baixas gastam com vestuário 5,5 bilhões, ante 2 bilhões das demais, já os gastos destinados a cabeleireiro 727 milhões contra 280 milhões, festas e cerimônias 544 milhões ante 385 milhões, e o mais alarmante os gastos com remédios chega para as classes C, D e E ao montante de 3,5 bilhões, enquanto as classes A e B consomem 1 bilhão.

Para concluir tenho observado uma grande disposição de muitos profissionais em expandir seus negócios com o intuito de atender a esta massa crescente, no entanto, como podemos observar que gastos com saúde, principalmente saúde bucal, não estão nos planos desta classe ascendente. Outro quesito importante é que pela própria definição de classes o rendimento familiar não é tão elevado a ponto de se destinar um percentual para gastos com odontologia, ficando isso a cargo dos planos de saúde que embutem o tratamento, a preços irrelevantes, no valor do plano assistencial.

E por final digo que, embora os avanços sejam significativos, a renda não cresceu suficientemente para suportar gastos com a saúde bucal que historicamente vem sendo tratado de forma curativa, o que se observa é que houve uma considerável expansão e acesso ao crédito e que as classes emergentes destinam a bens de consumo como celulares, computadores portáteis, tênis e vestuários entre outros, além da prestação do sonho de consumo, o automóvel, não deixando espaço para outros cuidados. Logo só nos resta saber, até quando haverá crédito suficiente para se manter este padrão. Como já podemos observar já existem sinais negativos, inflação em alta, inadimplência crescente entre outros fatores, o certo é que estão esquecendo-se de uma importante classe que em suma poderá (e irá) suprir a falta de demanda que já estamos avistando em um horizonte não muito distante.

Fica então um conselho, diversifique, mas trabalhe com diferencias e dentro da realidade de cada mercado, tomem como base o histórico do Grupo Pão de Açúcar, uma bandeira específica para cada público, uma marca específica para cada consumidor.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Profissional Autônomo ou Pessoa Jurídica? Qual opção?

Uma das decisões que mais inquieta qualquer profissional liberal é a escolha da situação tributária mais adequada. Autônomo ou Lucro Presumido?

Vamos procurar entender nestas poucas linhas quais as diferenças, vantagens e desvantagens que implicam nossas escolhas. O sistema tributário do profissional autônomo é regido pela Lei do Imposto de Renda, aplicando-se a tabela progressiva ao saldo que é a diferença entre as receitas declaradas menos as despesas dedutíveis, que compõe gastos com as atividades profissionais, deduções do INSS e Previdência Privada, além dos dependentes, neste caso um consultório que alcançar um faturamento bruto de R$ 36.000,00 com uma média de despesas em torno de R$ 12.000,00 pagará IR na ordem de R$ 5.907,22, ou seja, será taxado na alíquota máxima de 27,5% sobre o saldo (36.000 – 12.000).

Já a empresa optante pelo sistema tributário de lucro presumido, considerando a mesma situação, recolherá um total de R$ 5.014,80, levando em conta que esta empresa não se caracteriza pela uniprofissionalidade (não formada por dois profissionais dentistas), cuja carga tributária total soma o percentual de 13,93%, já a caracterizada pela uniprossionalidade a carga reduz para 8,93%, o que resultaria no recolhimento de R$ 3.214,80, tendo como diferença R$ 892,42 e R$ 2.692,42 respectivamente.

Portanto, podemos perceber uma ligeira vantagem na opção pela pessoa jurídica, que embora os exemplos possam paracer simplista, retratam a realidade de trabalhos desenvolvidos em campo, mas é necessária a total atenção quanto à estrutura de custos, pois esta pode alterar a conceitualização da decisão, lembro mais uma vez que a eficaz gestão é prepoderante no levantamento de dados que nos levam as informações necessárias para a tomada de decisão.

Assim, se um consultório não exceder ao faturamento mensal declarado superior a R$ 11.000,00 com uma estrutura de custo em torno de R$ 4.000,00, a melhor opção ainda continua sendo a pessoa física. Todavia, esta escolha não nos isenta de pagamentos futuros ao Leão, no período de março a abril, ocasião em que temos que fazer os devidos ajustes (declaração Anual de Imposto de Renda), pois não raro as rendas declaradas pelos profissionais não superam seus investimentos, sendo necessário o “aporte” de receitas extras, resultando invariavelmente em mais desembolsos. Entretanto, a opção de pessoa jurídica além de propciar uma carga tributária menor (no caso de uniprofissional 8,93% sobre faturamento), nos dá uma grande vantagem que é o lançamento da lucratividade do consultório na declaração anual, utilizando o campo destinando a rendimentos isentos e não tributáveis, como lucros e dividendos recebidos, fugindo desta forma da bi-tributação.

O que devemos levar em consideração na escolha de qual sistema trabalhar, não é somente o quanto devemos recolher de impostos, mas sim analisar qual a melhor opção, confrontando investimentos no período com as receitas declaradas. Alie a sua capacidade técnica aos conceitos de gestão, na qual o planejamento e o controle dos custos, uma avaliação estrutural de margem de contribuição por procedimento e uma reavaliação de tabelas de preços, são fundamentais para a escolha. Lembre-se sempre que não existem escolhas erradas, mas má utilização das escolhas que fazemos. Gestão pratique esta idéia.

O Movimento do Mercado de Saúde

Na edição jan/fev/mar 2010 – ano 3 nº 11 do CETAO NEWS publiquei um artigo sob o título – O avanço das grandes corporações, muitos foram os retornos, na maioria positivos, com reproduções em outros importantes meios, no entanto, muito pouco se pensou a respeito e para consolidar minha posição trago alguns indicadores significativos para uma reflexão sobre o tema.

Em publicação recente a revista exame 984 de 26.01.11 revela que na última década os planos de saúde ganharam 14 milhões de novos usuários, um crescimento de 50%, já o portal da mesma revista nos mostra que o crescimento de clientes em planos odontológicos foi de 460% no mesmo período, sendo 2,43 milhões em 2.000 para 13,64 milhões em 2010, e o fato que mais preocupa, além de pouco contribuirem com o resultado nos consultórios, é que apenas 15,8% são exclusivamente odontológicos. Com isso fica evidente a estratégia de utilização dos serviços em odontologia para atrair novos clientes e depois incorporá-los a planos mais retáveis, já que a renda percapta não ultrapassa a R$ 10,00.

Com 1.632 operadoras atuando em nosso território, onde 33% de participação são de grandes operadoras, temos na outra ponta a indústria brasileira que segundo a ABIMO movimentou durante a 15ª International Dental Conference & Arab Dental Exhibition, em Dubai U$$ 445 mil em negócios, com perspectivas de gerar nos próximos 12 meses U$ 3 milhões em novos negócios, além de constatar que a percepção sobre o Brasil, na qual indica que 74% dos participantes nos consideram um importante player global, 53% classificam nossa empresa como boa, 72% dizem que nossos preços são aceitáveis e 62% vêm com bom olhos a qualidade de nossa indústria. O que mais me chamou atenção nestas informações é que nada se falou, a não ser no portal exame, em odontologia, e muito menos dos precursores desta indústria toda, responsáveis tanto pelo desenvolvimento e melhoria dos produtos e que contribuiram significativamente para que estes resultados fossem alcançados.

Trata-se dos profissionais dentistas, que prolongam sua jornada de trabalho entre 16 e 18 horas para garantir uma mínima renda, sofrendo pressões tanto por parte das grandes corporações como das indústrias, não encontrando tempo para “pensar” no negócio de maneira racional e estratégica. É preciso repensar na odontologia e a classe fazer valer sua posição exigindo das entidades que as representam uma proposta de inserção nesta participação.

Estamos falando de 13,7 bilhões de reais em participação no mercado de saúde entre a Amil, Bradesco Saúde e SulAmérica, em 2010 foram gastos 4,1 bilhões em dólares em fusões e aquisições. Para fazer frente a esta avalanche o profissional deverá se comprometer com a gestão e ampliar seus conhecimentos em administração e custos, para garantir a melhoria de sua performance financeira, principalmente dividir o que é pessoal do empresarial, saber responder questões simples e ao mesmo tempo crucial de qual a melhor opção tributária entre autônomo e lucro presumido. Saber se posicionar e acompanhar as mudanças de cenários empresariais e populacionias.

Eis mais um desafio a ser vencido. Como disse Edson Gody Bueno – dono da operadora Amil e dos laboratórios Dasa –“Se você quiser ser sardinha, ande com sardinhas. Se quiser ser tubarão, ande com tubarões”. É para se pensar e agir.

sábado, 30 de julho de 2011

Ponto de Equilíbrio. Como calcular?

Em vários trabalhos de campo a nossa segunda maior preocupação, depois da análise contábil financeira, é a de estabelecer a rentabilidade dos procedimentos realizados na clinica.

O profissional de maneira geral sempre se preocupa em manter sua agenda, no entanto, sempre fica a dúvida de qual procedimento que de fato lhe garante uma maior rentabilidade, e para essa resposta a ferramenta utilizada é o ponto de equilíbrio (PE), que se divide em contábil, financeiro e econômico. É importante lembrar que qualquer que seja o PE desejado ele sempre indicará o momento zero, ou seja, não apontará lucro e muito menos prejuízo, mas para analisar a lucratividade de um procedimento devemos primeiramente calcular a margem de contribuição que é alcançado da subtração do valor de venda do serviço pelos custos variáveis, como no exemplo a seguir:

(+)Preço de venda R$ 10,00
(-)Custo Variável R$ 4,00
(=)Margem de Contribuição R$ 6,00

A partir da margem de contribuição em valores, calculamos o percentual que denominamos de IMC = Índice da Margem de Contribuição, na qual multiplicamos a margem de contribuição por 100 e dividimos pelo valor de vendas (R$ 10,00):

{(6,00x100)/10,00} = 60%

logo verificamos que a margem de contribuição em percentual é de sessenta por cento. Para saber qual a quantidade de procedimentos a serem realizados deve-se dividir o custo fixo, no caso R$ 950,00 mês, pela margem de contribuição em valores:

(950/60) = 158,33

será o total de procedimentos a serem realizados no mês.

Já o PE em valor monetário é calculado dividindo o custo fixo mensal pelo IMC e multiplicando-o por 100:

(950/60)x100 = 1.583,33

Consideramos que em um mês são realizados 200 procedimentos, qual será o resultado? Esta questão é simples responder, basta seguir os próximos passos. Multiplica-se a quantidade de procedimento pela margem de contribuição, após subtraia os custos fixos. Utilizando os exemplos acima temos:

200 x 6,00 = 1.200,00 – 950,00 = 250,00 de lucratividade.

Para calcular o resultado a partir de um valor faturado deve-se multiplicar o faturamento pelo IMC e dividi-lo por 100 e em seguida subtraí-lo dos custos fixos, assim teremos:

1.400,00 (total faturado) x 60 (sem porcentagem) = 84.000

84.000 dividido por 100 = 840,00 – 950,00 = (-) 110,00 neste caso prejuízo.

Com isso determinamos que o ponto de equilíbrio equivale a lucratividade variável, na qual é alcançada a partir da diferença entre o preço de venda unitário do serviço e os custos e despesas por unidade. Isto significa que, em cada procedimento realizado, o profissional terá um determinado valor de lucro.

Desta forma, o Ponto de Equilíbrio representa o faturamento mínimo que o profissional tem que alcançar para que não seja apurado lucro ou prejuízo no exercício, atingindo o momento zero.

Lembro mais uma vez que a alavancagem financeira de um consultório não se faz com o aumento da clientela, e sim, pela melhoria das margens que esta clientela participa, ou contribui, antes de pensar em aumentar a base de clientes é necessária a avaliação de cada procedimento e posteriormente dar maior ênfase aos mais rentáveis que nos garantirão lucro sem o aumento das horas trabalhadas.

Para se obter as bases para o cálculo do PE basta à aplicação de ferramentas simples e eficazes como o DRE, por exemplo. Gestão pratique esta idéia.

Estamos de volta!

Prezados Profissionais,

Depois de alguns meses fora do ar nosso blog retorna, agora reformulado e com uma visão diferente, neste espaço debateremos propostas e conceitos de gestão, objetivando a ampliação e a socialização de ferramentas e notícias de interesse para a categoria.

Espero, desta forma, contribuir para a classe e levar discussões de alto nível sobre gestão a todos participantes.

Abraços a todos

Professor Fernando Schiavetto

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

AS DUAS PULGAS - MAX GEHRINGER

Antes de mudar pare, observe e escolha o caminho mais sábio:

Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra: - Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

Elas então contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: - Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.

Elas então contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa.

Funcionou, mas não resolveu... A primeira pulga explicou por quê: - Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando.

Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.

E então um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos.... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:

- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica? - Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

- E por que é que estão com cara de famintas?

- Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha: - Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia?

- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora. - Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas ? - quiseram saber as pulgonas.

- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse: "Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança".

MORAL: Você não precisa de uma reengenharia radical para ser mais eficiente. Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento.

domingo, 11 de abril de 2010

Veja cinco cuidados antes de comprar um imóvel na planta

Uma das principais preocupações que encontramos em nossos cursos é na aplicação dos recursos excedentes, além é claro de como consegui-los. Desta forma posto a reportagem publicada no Portal Exame em 08.12.09, onde nos são reveladas dicas importantes ao adquirirmos imóveis na planta, que sem dúvida torna-se um interessante investimento.

Atraso na entrega dos imóveis, embargo da obra por irregularidades e reajustes não previstos em contrato são os principais problemas na hora de comprar a casa própria.
Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (AMSPA) apontou, em estudo, os problemas mais freqüentes que os consumidores enfrentam na hora de comprar a casa própria – em particular, imóveis novos, adquiridos na planta. Entre eles estão atrasos na entrega dos imóveis, embargo da obra por irregularidades junto à prefeitura e reajustes não previstos em contrato.
Segundo a AMSPA, isso acontece geralmente com os consumidores que apostam nos incentivos e facilidades de financiamento das imobiliárias.

Para se ter uma idéia, os processos contra construtoras que atrasaram a entrega de imóveis aumentaram 50% nos últimos dois anos, informou a AMASPA. Nesses casos, a empresa é obrigada a pagar uma multa pelo atraso. E, se resolver desistir do imóvel, o comprador ainda pode pedir a devolução de tudo o que pagou - inclusive a comissão do corretor.
Dicas para evitar problemas
01- Antes de fechar o contrato, verifique a idoneidade da construtora. Para isso, consulte o Procon sobre a existência de reclamações contra ela. Consulte também o Fórum, para saber se existem ações judiciais contra a empresa.

02- Verifique se a construtora entregou outras obras dentro dos prazos, sem problemas, e se cumpriu as condições estipuladas no contrato.

03- Consulte a prefeitura, para saber se o imóvel está regularizado.

04- No caso de financiamento, verifique se a taxa de juros está dentro do limite permitido por lei - que, atualmente, é de 12%.

05- Observe se o valor inicial das prestações é adequado à sua renda. O valor da prestação nunca deve ultrapassar 30% da sua renda, para não acarretar problemas futuros de atraso no pagamento ou inadimplência.
Outra forma de evitar futuros entraves é criar uma comissão de representantes para fiscalizar a obra e seu andamento. A própria Associação dos Mutuários coordena o trabalho dessas comissões, cuja criação deve ser exigida pelos compradores.

domingo, 7 de março de 2010

Venda de único imóvel até R$ 440 mil está isenta da IR

Em recente publicação o DiárioNet nos dá uma importante dica sobre venda do único imóvel. A dúvida que reside é se ela é isenta ou não de pagamento do Imposto de Renda, confira o que diz a equipe do DiárioNet:

Muitos contribuintes ficam preocupados com a possibilidade de pagar imposto pela venda de um imóvel, se não aplicarem o dinheiro na compra de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias. É importante lembrar que essa possibilidade de isenção veio se somar a outras já existentes. Confira aqui as duas principais hipóteses de isenção, não esquecendo que há outras, como a depreciação de imóvel adquirido há muitos anos.
A principal forma de isenção, da qual a maioria dos contribuintes pode fazer uso, é a que livra do pagamento de imposto de renda a venda do único bem imóvel que o titular possua, individualmente, em condomínio ou em comunhão, no valor de até R$ 440 mil, independentemente de se tratar de terreno, terra nua, casa ou apartamento, ser residencial, comercial, industrial ou de lazer, e estar localizado em zona urbana ou rural, desde que não tenha efetuado, nos últimos cinco anos, outra alienação de imóvel a qualquer título, tributada ou não.
Desde 16 de junho de 2005, o ganho obtido por pessoa física residente no Brasil na venda de imóveis residenciais está isento, desde que o vendedor, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o dinheiro na compra de imóveis residenciais localizados no País.
No caso de venda de mais de um imóvel, o prazo de 180 dias é contado a partir da data da celebração do contrato relativo à primeira operação. A aplicação parcial do dinheiro obtido na venda implica tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção vale apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais.
Como ocorre com a venda do único imóvel, o contribuinte somente pode usufruir do benefício uma vez a cada cinco anos, contados a partir da data da celebração do contrato relativo à operação de venda com o referido benefício ou, no caso de venda de mais de um imóvel residencial, à primeira operação de venda.
Na hipótese de venda de mais de um imóvel, estão isentos somente os ganhos de capital auferidos nas vendas de imóveis residenciais anteriores à primeira aquisição de imóvel residencial.
A isenção não vale para dinheiro da venda aplicado na construção de outro imóvel, mesmo que residencial. Somente se aplica para a aquisição, no prazo de 180 dias, de imóveis residenciais construídos ou em construção, não abrangendo os gastos para a construção de imóvel, os gastos para a continuidade de obras em imóvel em construção ou ainda os gastos com benfeitorias ou reformas em imóveis de propriedade do contribuinte.

O AVANÇO DAS GRANDES CORPORAÇÕES

Na próxima edição do CETAO NEWS será editado o artigo "O avanço das Grandes Corporações", onde explano a necessidade do entendimento das ações estratégicas no nosso dia-a-dia, confira na integra o artigo:
Em nossa coluna temos sempre destacado a importância do planejamento estratégico e deste entendimento é que o profissional deverá se posicionar no mercado de trabalho. Como o próprio título diz vamos tratar do avanço das grandes corporações na área de saúde, o que inclui a odontologia, tomaremos por base os três últimos movimentos, a fusão do Bradesco com a Odontoprev, Amil com a Medial e por último, segundo a revista exame, a possível saída da GP Investiments da Imbra, tendo como possíveis compradores a Amil ou a Odontoprev (Bradesco).
Para muitos isso tem um significado de pouca importância, para outros nem tanto, e acertou quem pensa como o segundo grupo, pois com a chegada destas grandes corporações o mercado passa a se consolidar de maneira muito clara em termos de posicionamento. Cria-se uma espécie de oligopólio de rede de convênios, diminuindo o poder de barganha dos prestadores de serviços (que já não tinham quase nenhum).
O que ocorrerá, é que a oferta passa a ser concentrada em poucas operadoras e o prestador a ser tratado com um só, o que cria condições para a segmentação, o que na minha opinião poderá resultar em uma espécie de seleção natural dos prestadores, os melhores localizados e melhor equipados poderão, em tese, receber os clientes que possuam poder aquisitivo maior, já os prestadores de serviços que possuem uma localização intermediaria e que não possuam uma grande oferta de especialidades, por exemplo, poderão ficar uma gama de conveniados de menor poder aquisitivo, e assim sucessivamente até chegarmos ao conceito da clínicas de baixo padrão, as chamadas clínicas populares. Assim o profissional credenciado em vários convênios passa a fazer parte de uma massa maior e única, podendo correr o risco de ser descredenciado a qualquer momento, pois entende-se que embora a empresa seja uma só, ela opera sob várias marcas (como a rede Pão de Açúcar) o que possibilita a segmentação.
O fato é que o profissional deverá definitivamente se posicionar no mercado em que atua, necessitará definir-se sob o ponto de vista mercadológico em qual segmento atuará e reavaliar sua estrutura e conseqüentemente seus custos e posição de carteira.Esta afirmação tem por base lembrá-los que toda e qualquer segmentação se traduz em repasses cada vez menores (tabelas mais baixas), dependendo sob qual bandeira o profissional irá atuar, não haveria sentido este movimento todo das empresas para operarem com uma tabela única e optando pela maior.
Agora você pode estar se perguntando: “O que tem a Imbra nisso tudo?” a resposta é bem simples, caso se confirme a reportagem as grandes corporações que até agora atuavam como intermediários, passarão a atuar diretamente na prestação de serviços odontológicos e isso acarretará em significativas perdas de receitas em muitos consultórios. O quadro que se desenha é no mínimo preocupante, pois além de deter o controle sobre os associados/conveniados as empresas passarão a oferecer atendimento próprio e todos nós conhecemos muito bem o padrão das clínicas objeto de negociação. Por esta razão é que o profissional deve se posicionar o quanto antes e desenvolver uma estratégia voltada ao seu público-alvo, preferencialmente o não conveniado, ou poderá desaparecer.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Receita aperta cerco a sonegadores que usam recibos médicos

Olá Pessoal
2010 chegou, e já temos novidades que poucos sabem, a nossa Receita Federal continua a melhorar seus instrumentos de verificação e fiscalização aos prestadores de serviços da área de saúde.
Com a criação da Declaração de Serviços Médicos (Dmed) cria-se mais uma obrigação e consequentemente a necessidade de redobrarmos nossa atenção quanto aos recebimentos por parte de nossos clientes, quer sejam particulares ou oriundos de convênio.
Reforço a necessidade de revermos nossas estratégias contábeis e financeiras e incluir os custos dos tributos em nossas atividades, como toda e qualquer empresa. Evite problemas futuros seguindo as orientações e mantendo a sua declaração de renda compatível com suas movimentações financeiras.
Abaixo a reportagem na integra.
A partir de agora, os profissionais da área de saúde serão obrigados a prestar informações à Receita Federal sobre os valores recebidos na prestação de serviços em um novo documento. Foi criada a Declaração de Serviços Médicos (Dmed), que deverá conter informações de valores recebidos por pessoas jurídicas prestadoras de serviços de saúde e operadoras de planos privados de assistência à saúde. A Instrução Normativa 985 foi publicada no Diário Oficial da União.

Segundo a instrução, são obrigadas a apresentar a Dmed as pessoas jurídicas ou equiparadas nos termos da legislação do Imposto de Renda, prestadoras de serviços de saúde, e as operadoras de planos privados de assistência à saúde. A medida visa a combater a apresentação de recibos falsos, com o objetivo de diminuir a carga do Imposto de Renda de alguns contribuintes.

O texto define como serviço de saúde todo aquele "prestado por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, dentistas, hospitais, laboratórios, serviços radiológicos, serviços de próteses ortopédicas e dentárias, e clínicas médicas de qualquer especialidade, bem como os prestados por estabelecimento geriátrico classificado como hospital pelo Ministério da Saúde e por entidades de ensino destinados à instrução de deficiente físico ou mental.

Na declaração deverá constar, entre outras informações :o número do CPF e o nome completo de quem pagou o serviço, os valores recebidos e os reembolsados pelos planos de saúde, ano a ano.

A Receita Federal irá disponibilizar um programa de computador para que a Dmed seja apresentada pela matriz da pessoa jurídica. O aplicativo será disponibilizado na página da Secretaria da Receita Federal na internet, a até o último dia útil de fevereiro de cada ano. A multa para quem não apresentar a Dmed no prazo estabelecido, ou apresentar o documento com incorreções ou omissões, será de R$ 5.mil por mês-calendário ou fração, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega após o prazo. No caso de informações omitidas ou inexatas, a multa será de 5% , valor que não poderá ser inferior a R$ 100.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

NÃO SEI SE É VERDADE, MAS EM TODO CASO...

Recebi esta mensagem pela internet, não sei ao certo se funciona de fato, mas não custa nada informar, vai que dá certo...não é?....Mas lembro que falar no 156 é muito mais difícil do que ser pego no rodízio....
Se você estiver preso em um congestionamento e tiver certeza de que não vai conseguir sair dele a tempo de evitar o horário do rodízio, ligue para 156, identifique- se, dê a placa do seu carro, o local onde está e informe o operador da sua dificuldade. Ele irá anotar (e gravar) os dados e lhe passará um número de protocolo. Anote-o.. Se você receber uma multa por ter infringido a lei do rodízio naquele dia, faça uma defesa e mencione o número do tal protocolo. A multa será cancelada!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mais um grande conglomerado

Na matéria passada eu havia alertado para um movimento no Brasil da criação de grandes conglomerados, a compra da Odontoprev pelo Bradesco e à aquisição da Medial/Amesp por parte da Amil, foram o pano de fundo para esta afirmação.
Ocorre que agora o grupo liderado por Abílio Diniz, segundo a folha de São Paulo, adquiriu o controle acionário das Casas Bahia, tornando-se assim o líder e maior conglomerado varejista nacional.
Chamo à atenção para a criação de empresas gigantescas com grande poder de decisão e de formulação de preços e conceitos, um movimento perigoso, e não se assustem com a notícia de que a Rede Walmart adquiriu o controle da Rede Carrefour nos próximos dias.
Vejam a notícia veiculada hoje:
O Grupo Pão de Açúcar e a Casas Bahia anunciam fusão de operações nesta sexta-feira. É um dos maiores negócios financeiros do ano no país e aponta mudanças no setor varejista. Os grupos convocaram coletiva de imprensa para as 11h, a fim de detalhar o negócio.

Segundo a Folha Online apurou, o processo de fusão será de "longo prazo". Ou seja, a princípio os dois conselhos vão interagir com igual poder.

Segundo o último balanço do grupo da família Diniz, a empresa teve lucro de R$ 171 milhões no terceiro trimestre do ano, com expansão de 156,7% ante o mesmo período do ano passado. As vendas nesse período somaram R$ 6,151 bilhões, com alta de 39,6%.

Em junho, o Grupo Pão de Açúcar anunciou a compra da Globex Utilidades, dona da rede Ponto Frio, que era, até então, a segunda maior no segmento de eletroeletrônicos do país, atrás apenas da Casas Bahia. Com a aquisição, o grupo Pão de Açúcar, que inclui a bandeira de mesmo nome, além de Extra, CompreBem, Sendas e Assai, recuperou a liderança no varejo brasileiro, que era ocupada pelo Carrefour.

domingo, 29 de novembro de 2009

Os sete principais erros no pagamento do IR

A maior parte dos equívocos que levam os contribuintes à malha fina ou ao pagamento de multas é cometida bem antes da época de declaração.
Esta é a informação do repórter Thiago Bronzatto da Revista Exame.
A declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2010 só começa em março do próximo ano, mas pensar nela desde já pode evitar que aconteçam alguns deslizes recorrentes que podem levar o contribuinte à temida "malha fina" da Receita Federal, um processo de fiscalização em que o contribuinte é intimado a comprovar as informações fornecidas. Neste caso é importante o profissional liberal estar atento aos recibos declarados, cruzando principalmente com sua declaração anual, por esta razão que reforço que o lucro presumido é infinitamente melhor.
Segundo o supervisor nacional do IR na Receita, Joaquim Adir, o aumento da fiscalização nos últimos cinco anos fez com que o número de declarações pendentes detectadas pela Receita crescesse cerca de 40%. Boa parte desses contribuintes não cai na malha fina por má-fé ou tentativa de sonegação. "Muitas pessoas erram por não saber as regras do Imposto de Renda", diz Adir. "E, para 2010, estamos aprimorando ainda mais o nosso sistema informático de avaliação.", ou seja, estaremos mais atentos aos cruzamentos de todos os passos do contribuinte, principalmente aqueles inscritos em programas de incentivo do governo visando o aumento das emissões de notas fiscais.
O advogado tributarista Samir Choaib, sócio do escritório Choaib, Paiva e Justo, alerta que muitas vezes um equívoco pode levar a uma enorme dor de cabeça para o contribuinte. "Conheço gente que, devido a um erro na declaração, foi multado em 200 mil reais", conta Samir. Veja abaixo os sete erros mais comuns cometidos por pessoas físicas na declaração do IR:
1 - Ações na bolsa - Desde 2005, a Receita criou uma alíquota de 0,005% sobre operações de venda na BM&FBovespa - o percentual poderá ser ressarcido quando o valor de venda for inferior ao do da compra do papel. Essa tributação não gera uma arrecadação representativa para o governo, mas serve para que os auditores tenham informações sobre quem negocia papéis em bolsa e possam identificar os sonegadores. Neste ano, 1.481 investidores, responsáveis por movimentar 81 milhões de reais na bolsa em 2008, tiveram de passar pela malha fina e comprovar os seus rendimentos. "Qualquer pessoa que ganha cinco mil reais na bolsa tem que preencher a declaração", destaca Choaib. Toda vez em que o investidor vender mais de 20 mil reais de ações em um único mês, ele terá de arcar com uma alíquota de IR 15% sobre o lucro a ser pago no mês seguinte às transações. Em casos de day trade (compra e venda de um papel no mesmo dia), a tributação será de 20%, sendo 1% descontado pela própria corretora e deduzido direto no IR. Se o investidor comprar 24 mil reais de papéis e vendê-los por 26 mil reais, por exemplo, a alíquota (tanto para operações comuns como para day trade) incidirá sobre os dois mil reais de lucro. Em situações de prejuízo, o valor perdido nas operações poderá ser deduzido posteriormente. Ou seja, se as ações forem compradas por 100 mil reais e, depois, vendidas por 20 mil reais (totalizando um prejuízo de 80 mil reais), ao obter um lucro de 90 mil reais em operações futuras (sem prazo determinado) a mordida do Leão será apenas sobre os 10 mil reais do lucro líquido (já descontado o prejuízo inicial). Vale lembrar também que os custos com corretagem poderão ser deduzidos na declaração. Temos que ter a consciência de que as operações da Receita Federal estão cada vez mais sofisticadas, o que para o país é de extrema importância, pois melhora a competitividade entre as empresas, desestimula a sonegação, pela que os nossos políticos não acompanham esta evolução e não nos dão o retorno pelo que arrecadamos.
2 - Imóveis com a finalidade de aquecer o mercado imobiliário, desde 2005 a Receita Federal isenta a pessoa física de pagar alíquota de 15% sobre o ganho de capital obtido com a venda de algum imóvel caso ela compre outro imóvel residencial (não inclui salas de escritórios ou terrenos, portanto) no prazo de até 180 dias - pode ser de valor inferior ao imóvel vendido. Por exemplo: se alguém compra um apartamento por 150 mil reais e, depois de dez anos, o revende por 250 mil reais, o proprietário teria de pagar uma tributação de 15% sobre os 100 mil reais ganhos na transação. Mas, se a pessoa utilizar os 250 mil reais para comprar outro imóvel, estará isenta do IR. O uso desse benefício só poderá ser feito uma vez a cada cinco anos. Outra isenção geralmente deixada de lado na hora de declarar é a que permite ao proprietário vender o seu único imóvel de até 440 mil reais sem ter que pagar qualquer alíquota sobre o ganho de capital. Esse benefício, no entanto, só é válido para quem não vendeu imóvel durante cinco anos, explica Mauro Gallo, professor e pesquisador do Núcleo de Estudos em Controladoria e Gestão Tributária da Fipecafi-USP. Há também um meio de conseguir isenção sobre vendas de imóveis (ou terrenos) avaliados em até 35 mil reais. Ou ter sociedade sobre um imóvel de até 70 mil reais, dividindo o valor total em duas partes iguais. Quanto à declaração de benfeitorias, que eleva o valor do imóvel e ajuda a reduzir o imposto a ser pago em caso de venda, ela só será aceita se agregar valor à propriedade – como, por exemplo, construir uma nova edícula. Portanto, pintura não conta. Vale lembrar que a isenção é para a compra de outro imóvel, todo e qualquer ganho financeiro é considerado rende, e assim passível de aplicação das alíquotas de acordo com a Lei.
3 - Fundos de previdência o primeiro passo é escolher entre PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). Depois, o contribuinte terá que optar pela tabela progressiva (a mesma usada para calcular o IR na fonte todo mês) ou pela regressiva, cuja alíquota maior é de 35%, reduzindo cinco pontos percentuais da alíquota do IR a cada dois anos (a partir de dez anos, a alíquota passa a ser de 10%). Dependendo das escolhas feitas acima, o investidor poderá ser abocanhado cruelmente pelo Leão. Há alguns gerentes de banco que, logo de cara, oferecem os fundos de PGBL como uma opção de aplicar em dezembro para escapar de tributações. São indicados porque permitem o desconto de até 12% da renda bruta tributável para quem declara no modelo completo. Por exemplo: se a renda bruta anual for de 100 mil reais, o contribuinte poderá abater até 12 mil reais das contribuições feitas ao PGBL. Para aproveitar esse benefício, muita gente aplica nesses fundos em dezembro para lançar isso na declaração do ano seguinte. Mas, na verdade, essa solução só adia o pagamento de IR para o dia de resgate do valor investido. Se forem aplicados 24 mil reais e, depois de certo tempo, o investidor resgatar 30 mil reais, ele pagará alíquota de 27,5% não apenas sobre o ganho de capital mas sobre todo o montante investido. Os fundos de VGBL, indicados para quem usa o modelo simplificado de declaração (cujo desconto-padrão é de 20%), não permite deduzir a aplicação do IR. Porém, quando receber o benefício, o contribuinte só pagará 15% sobre o rendimento obtido. Quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será o imposto pago no resgate. "Grosso modo, os fundos de VGBL são recomendados para o empresariado, enquanto os de PGBL são melhores para aposentados e assalariados", resume Gustavo Moral, coordenado do curso de direito tributário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo. A movimentação financeira ao final do ano tem que ser vista e pensada no longo prazo, para corrermos os riscos declarados pela reportagem, no entanto a recomendação é para que não se mexa nesta aplicação, pois com o tempo o desconto será muito mais vantajoso.
4 - Negócios no exterior se um Imposto de Renda já dá dor de cabeça, imagine dois. De maneira geral, isso acontece com algumas pessoas que vão morar (ou trabalhar) fora do país e se esquecem de avisar a Receita Federal, ficando sujeita a dois IR - um no Brasil e o outro no país estrangeiro. Para quem planeja ficar mais de um ano fora do Brasil, é necessário avisar a Receita. Depois desse período, caso o visto de permanência seja prolongado, é recomendável que se faça uma "declaração de saída definitiva". Apesar do nome, não é um documento que atesta o exílio. O CPF continua o mesmo - só que inativo. Para quem tiver bens no exterior ou pagar qualquer tipo de imposto, poderá abater na declaração, desde que o país que passou a abrigar o contribuinte tenha um tratado internacional de bitributação com o Brasil. Ao todo, são 25 países que têm acordo: Áustria, Argentina, Bélgica, Canadá, Chile, China, Coréia, Dinamarca, Equador, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Holanda, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, Noruega, Portugal, República Eslováquia, República Tcheca, Suécia, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Esses três últimos têm aliança de reciprocidade com o Brasil. Ou seja, leis próprias que permitem ao estrangeiro abater o valor gasto em impostos (corrigidos de acordo com a variação do câmbio) longe de sua terra de origem. Há cinco anos, um jogador de futebol que não teve seu nome revelado vendeu um apartamento em Miami no valor de 502 mil reais. Como o seu contador se esqueceu de incluir a operação na declaração, foi tributado 10% no valor da venda. Hoje, com correções e juros, a multa chegou a um milhão de reais. Vale lembrar que qualquer patrimônio em outro país, cujo valor superar 100 mil dólares, deverá ser declarado à parte diretamente para o Banco Central.
5 - Pensão O contribuinte poderá deduzir do Imposto de Renda as despesas com pensões alimentícias desde que haja homologação judicial ou acordos registrados em cartório. Se uma pessoa física ganha 10 mil reais e paga 3 mil reais de pensão para a ex-mulher e para os filhos, caberá à beneficiada pagar o IR sobre o valor recebido. Já o marido poderá pedir a restituição do dinheiro retido na fonte para evitar a bitributação. Por outro lado, se uma mulher tem outra fonte de renda e recebe do ex-cônjuge um total de três mil reais de pensão, dividindo entre ela e os dois filhos, para evitar a mordida do Leão deverá fazer com que cada um dos filhos declare IR, mesmo que eles tenham um ano de idade. Assim, ambos os filhos terão uma renda de 12 mil reais anuais, o que é considerado isento do IR.Como podemos ver, as Leis são rígidas, mas podem ser utilizadas também a nosso favor, pasta termos a concentração necessária e analisar cada detalhe, o que às vezes nos parece ruim na verdade pode nos dar alguma vantagem. Agora é sempre bom lembrar, não deixem de pagar a pensão...senão .......
6 - Dependentes não adianta incluir vários dependentes na declaração como forma de aumentar a restituição do imposto. A Receita é rigorosa no cruzamento de informações armazenadas em seu sistema. Portanto, são permitidos somente nos seguintes casos: filhos (ou enteados) até 21 anos de idade (ou 24 anos, desde que esteja cursando ensino superior ou escola técnica de segundo grau); irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a) sem a guarda dos pais e de até 21 anos (ou 24 anos se estiver estudando e em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho); pais, avós e bisavós que, em 2009, tenham recebido rendimentos (tributáveis ou não) de até 16.473,72 reais; sogros desde que seja feita uma declaração de IR conjunta do casal; companheiro(a) com quem o contribuinte viva junto há mais de 5 anos ou com quem tenha filhos. Os gastos com dependentes podem ser abatidos no limite de até 1.434,59 reais mensais para cada um. Outro deslize bastante comum é incluir na declaração um dependente que seria isento de IR. Por exemplo: o pai aposentado de um contribuinte, cuja renda anual é de 30 mil reais, será isento se a sua única fonte de renda, a aposentadoria do INSS, totalizar 12 mil reais. Nessa situação, só será uma boa opção para deduzir do IR se o dependente tiver despesas médicas suficientes para diminuir a tributação. Caso contrário, o contribuinte terá que pagar alíquota de 27,5% sobre 42 mil reais (30 mil reais de renda própria mais 12 mil reais do pai aposentado). Vale lembrar também que, depois dos 65 anos, a renda mensal de até 1.600 reais é isenta de Imposto de Renda. Não adianta rechear a declaração de dependentes, os cruzamentos são rigorosos e sofisticados, a Receita esta atenta e o controle é rigoroso, em muitos casos é bem melhor que cada um declare em separado, uma isenção pode ser muito mais interessante que uma junção de dependentes, o que pode acarretar em aumento de importo a pagar.
7 - Recibos médicos Apesar de ser ilimitada a declaração de gastos com saúde, a Receita está cada vez mais rigorosa para devolver esses valores aos contribuintes. Para evitar fraudes, o Leão agora obriga o médico a também declarar o CPF do paciente e verifica se há incongruências entre as declarações. Segundo Gleubert Coliath, chefe do departamento de ciências contábeis da PUC-SP, quem tem gastos muito altos com saúde demora a ser restituído. "A Receita tenta detectar qualquer tipo de discrepância com o volume de rendimentos declarado", diz Coliath. Por isso, é recomendável pagar a consulta com cheque - ou guardar o comprovante de débito ou crédito- para que o consumidor possa ter uma prova da despesa. Os custos extras com internação (remédios tomados ou enfermeiras particulares) devem ser incluídos na fatura do estabelecimento hospitalar. Temas constantes em nossos cursos, o recibo é o reverso da moeda, ele funciona nas duas pontas, e não é incomum o profissional "negociar" com seu cliente (neste caso ele deixou de ser paciente) e oferecer, ou ceder um desconto em troca, mas no início o ano fiscal e a aproximação da data de acertarmos as contas com o leão, ele (o "impaciente" porque não quer esperar nem um minuto) vêem cobrar o seu recibo e esquecendo assim o que foi negociado, trazendo assim duplo prejuízo ao profissional que deverá arcar com o recibo e pagamento de importo e ainda ficar sem o valor merecido pelo serviço, não há como fugir desta situação, não há mais como "inventar", por esta razão o consultório empresa, ainda é a melhor solução, como amplamente debatido em nosso curso no CETAO.
Espero que tenham proveito destas dicas da revista exame, pois é melhor nos prevenirmos, já que uma vez "convidados" pela Receita para comprovarmos nossas informações declaradas, significará no mínimo uma bela multa, uma evidência sem sentido e o pior a obrigatoriedade de irmos até o posto fiscal apresentar nossa declaração ao colaborador da Receita, isso pelos próximos cinco anos. Existem formas legais de se regularizar as emissões de recibos sem a necessidade de sonegação, mesmo porque a grande maioria trabalha com convênios e os impostos já são retidos na fonte. A orientação é a melhor opção.

sábado, 21 de novembro de 2009

UM NOVO MOVIMENTO NO MERCADO DE SAÚDE

Mais uma fomos pego de surpresa, bem ao menos os mais desavisados, estas duas reportagens postadas hoje (retiradas da Revista Exame – próxima edição), nos dá uma noção de como se portará o mercado de planos de saúde no Brasil.

E não se espantem se acordarem com a notícia que a Rede Carrefour foi adquiria pela Wal-Mart.

Se nos Estados Unidos o movimento é de Universalização, por aqui a coisa parece seguir um movimento diferente, o posicionamento estratégico se desenha de forma clara e precisa.

Como podemos ver a primeira reportagem trata apenas da transação, ou seja, do prêmio pago por ação ordinária (que dá o direito de participação nas decisões da empresa) e da oferta pública que será encaminhada para recompra das ações ainda em mãos de minoritários.

Também trata de maneira superficial da necessidade de aprovação por parte das entidades reguladoras o que não será problema, vejamos o caso da compra da Chocolates Garoto pela Nestlé, não foi autorizada e o processo ainda corre na justiça, seja como for não haverá impedimento nesta transação.

O fato é simples, a Medial passou por uma ação de expansão se posicionando para a baixa renda, patrocinou um dos clubes de futebol mais populares do país e sacrificou suas operações e margens para vender planos ao seu público-alvo, na segunda reportagem fica claro isso, e a situação se desenhava da seguinte forma, ou arruma ou quebra, mais veio à segunda opção vende e com sobra.

Bem, todas as análises foram feitas pelo foco da gestão econômica, onde a valorização e o ganho de musculatura por parte da Amil passa a ser considerável, mas o que nos chama a atenção é que na segunda reportagem diz que haverá necessidade de melhorar a precificação, traduzindo reajustar preços, o que significa possíveis exclusões, ou no mínimo “desnatamento” (como dizem os profissionais de marketing) que aponta a uma segmentação por público-alvo.

E isso é extremamente preocupante, pois o que já não estava bom poderá passar a ser ruim, vejamos as causas: Como foi publicado houve um pagamento de um prêmio não esperado pelo mercado, resultando no aumento das cotações por ações (valorização), deixando mais caras as futuras aquisições, o outro ponto é a diferença de rentabilidade de operações das empresas, outro fato relevante é que ambas ainda passam por um processo de fusão pelo lado a Amil, Amico e a Blue Life e pela Medial Amesp.

Todo este processo pode e deve afetar o setor prestador de serviços, particularmente a parte da odontologia, que é vista como complementar do pacote de venda do plano, sendo que a todos caberá uma significativa contribuição, falando em termos estratégicos na planificação financeira, corte de custos com redução de repasse e aumento na fiscalização e análise de procedimentos ampliando as glosas.

É preciso lançar um olhar, mais criterioso sob o aspecto estratégico nesta e nas demais movimentações dos setores de saúde, Bradesco e Odontoprev e agora Amil e Medial, estamos passando por um movimento de criação de conglomerados gigantescos que passam a direcionar os destinos de um segmento inteiro. Chamo a atenção para estes movimentos, todos nós sentimos quando os bancos se unem, mas não prestamos atenção quando as empresas de saúde resolvem juntar forças e canalizar o acesso a saúde. Pensemos nisso.

Fusão Amil-Medial agrada mercado, mas envolve desafios

Amil vai ampliar sua base de consumidores e tornar a Medial mais eficiente, mas precisará absorver rapidamente os ganhos de sinergia.
A compra da operadora de planos de saúde Medial pela Amil, anunciada nesta quinta-feira, pode aumentar a eficiência de ambas as companhias e abrir caminho para uma consolidação maior do setor, segundo analistas de duas corretoras que acompanham a Amil. No curto prazo, porém, a empresa precisa provar que é capaz de digerir os ganhos de sinergia que a aquisição pode trazer num prazo que compense o valor pago pela transação, visto como relativamente alto.
A visão mais positiva sobre a compra vem do analista da corretora do Santander, Daniel Gewerh. Responsável pela cobertura das empresas do setor de saúde, ele afirma que o principal benefício para as companhias é a possibilidade de a Medial melhorar seus processos de precificação dos planos de saúde comercializados, ao adotar os padrões da Amil.
Segundo o analista, a Medial praticava preços abaixo da média de mercado para alguns produtos como forma de conquistar clientes da concorrência, mas amargava prejuízo nessas operações. No longo prazo, a empresa saía muito prejudicada pela estratégia.''Nesse setor, a precificação é fundamental, é o ponto mais importante desse negócio'', afirma.
A aquisição também pode melhorar os índices de sinistralidade da Medial - ou seja, reduzir os gastos da empresa com serviços de saúde - e gerar economia com a diluição dos custos administrativos.
Para a Amil, por sua vez, o negócio amplia a base de clientes e fortalece a capacidade de distribuição no mercado paulista, o mais importante do país. A fatia da empresa em São Paulo vai praticamente dobrar, dos atuais 7,9% para 15,1%.''Essa compra se encaixa perfeitamente na estratégia da Amil. Ela adquiriu a empresa que precisava adquirir'', diz Gewerh.
Consolidação em andamento

O analista do Santander acredita que o negócio também aumenta as chances de a Amil se tornar a grande consolidadora do mercado de saúde, a partir da aquisição, em médio e longo prazo, de outras concorrentes. Alguns dos negócios mais importantes do setor nos últimos cinco anos foram protagonizados pela Medial, ao comprar a Amesp, e pela Amil, ao adquirir a Amico e a Blue Life.
Com uma base maior de clientes e a amplia liderança de mercado, a Amil ganha condições de acelerar o processo de consolidação em curso no setor desde o início da década. Segundo Gewehr, o Brasil contava com 2.273 operadoras de planos dentais e de saúde, no ano 2000, ante 1.273, ao fim do primeiro semestre de 2009.

A situação financeira da
Amil, também é favorável. Capitalizada pela abertura de capital promovida em 2007, a companhia contava com 1,1 bilhão de reais em caixa antes da aquisição. Pelos 51,9% das ações da Medial a companhia vai desembolsar 612 milhões de reais, o que deixa uma folga significativa para que a empresa tome fôlego e volte às compras, sem contar a possibilidade de um aumento na alavancagem, que poderia ser executado com relativa facilidade, na opinião de Gewerh.
Dificuldades da operação

Para a Fator Corretora, porém, a Amil. pode esbarrar justamente na incapacidade de absorver as concorrentes que ela adquire. Em relatório assinado pelo analista Iago Whately, a corretora diz que a aquisuição será positiva para a Amil do ponto de vista comercial, mas alerta que a companhia ''tem mostrado dificuldade em integrar os processos e capturar as sinergias de outros ativos adquiridos''.

Na aquisição desta quinta-feira, o risco fica ainda mais evidente por causa das dificuldades que a Medial atravessa, em função da ''falta de capacidade da rede própria e da ineficiência de seus processos internos''.
Whately afirma também que a carteira de clientes da Medial é de baixa qualidade e lembra que, segundo as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos individuais, os reajustes de preços são definidos pela agência e as operadoras não podem cancelar os contratos.

Isso aumenta o desafio da Amil por indicar que a sinistralidade da Medial só vai convergir para os níveis da empresa compradora após a reestruturação das operações, o investimentos em hospitais e - o que é mais difícil - a mudança no perfil da carteira de clientes da Medial.
Segundo o analista, como o valor oferecido pela Medial (17,2066 reais por ação) já pressupõe que a compradora será capaz de capturar os ganhos de sinergia do negócio, a Amil corre o risco de perceber que pagou caro pela concorrente, caso demore demais para digerir o novo ativo.

A proposta de compra da Amil embutiu um prêmio de 17% em relação à cotação dos papéis da Medial no dia anterior ao fechamento do contrato (14,70 reais). A reação inicial do mercado foi basante positiva. As ações ordinárias da Amil subiram 10,41% nesta quinta-feira enquanto as da Medial avançaram 11,50%.